sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Meus livros

Tarefa difícil essa de organizar livros. Em meu quarto tenho uma modesta estante; daquelas que cabem não mais que cinqüenta livros e alguns pockets. Devo ter em torno de oitenta livros, e cento e cinqüenta documentários e filmes de história e religião.

Os livros também seguem a mesma linha, com alguns respingos e resvalos, para a filosofia e o futebol. Difícil organizar. O final de ano traz com suas festas, viagens e presentes, a impossibilidade de comprar uma estante maior.

Mexi de um lado para o outro, coloquei os documentários deitados, ao invés de ficarem em pé, e remanejei os livros por tamanho e não assunto. O problema é não deliciar-se com as possibilidades de retomar uma leitura do passado, ou simplesmente aumentar a fila de leitura com mais dois ou três títulos.

Estou lendo três ao mesmo tempo, e a organização (ou tentativa de) me deixou triste e cabisbaixo. Gostaria de ler mais e não posso. A vida não permite. Tirei o pó, organizei o impossível, e quando optei por ler Eduardo Galeano já passava de meia noite.

Dei um abraço apertado em Gabriel Garcia Marquez e lhe pus ao lado de Galeano e Machado de Assis. Fui dormir para não atrapalhar o debate intelectual que fariam. Amanhã colocarei Nietzsche próximo de Descartes e sairei de perto.

Meus livros... Brinco com eles e cuido da melhor forma possível. Será herança para os filhos. Um dia terão idade para dar valor.

Um abraço.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Final de ano

Os jogos se foram. Férias futebolísticas tiram o brilho do sol brasileiro, e o azul fica fosco sobre o céu. Enquanto isso o presidente americano monta banca em plena entrega do Nobel, e se diz favorável a manutenção de tropas no Iraque. Não que eu seja contra ou a favor, mas isso é discrepante com seu discurso de posse.

Em Brasília é feita redução no bolsa família, logo no período que o povo mais faz doações. Funciona assim mesmo. O povo doa e a diferença vai pras meias. A BR 101 (ou brioi como diriam meus amigos catarinenses) terá mais um atraso na conclusão da duplicação. Era para o réveillon, e acabará ficando pronta no carnaval. Talvez morram uma centena a mais, mas isso não importa.

Tenho tirado esses últimos dias do ano para jogar revoltas no ventilador. É muita hipocrisia na TV e no rádio. Muita hipocrisia pelos corredores do naufrágio. Muita. Muita hipocrisia mesmo. O apresentador gordo dos domingos não está mais tão gordo. E enquanto isso na sala de justiça... Melhor não comentar.

Os pássaros estão voando para o litoral. As crianças nas sinaleiras não vendem mais jornal. Agora só pedem. Pedem porque a gente dá! Mas ao menos os ensaios nas escolas estão bombando! E os festivais de verão prometem muita franja na cara e misturas alcoólicas em garrafas PET.

Por falar em Pet, o Flamengo elegeu uma jovem senhora para o posto de mandatário numero 1. Chegou pedindo que o imperador se comporte. Imperador nas quatro linhas e toda a liga da justiça nas arquibancadas. Esse é o rio de Janeiro. Esse é o Brasil que assiste a tudo quanto é injustiça, comendo pizza e pedindo mais cerveja.

Final de ano com louvor e classe! Por falar em classe, conheço pessoas que não sabem a diferença entre aristocracia e burguesia, pode? Tem gente que aplaude o gol impedido por que dizem que é mais gostoso. Enquanto isso em Brasília, as coisas continuam nesse modelo. Tudo pelo mais gostoso. Tudo mesmo.

Um abraço.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Perguntas

O que ajuda mais um pobre carente? A doação de alimentos, roupas e brinquedos [em datas como natal ano novo e páscoa] ou a doação em momentos não esperados onde o estoque natalino já acabou?

O que ajuda mais? A manutenção de um assistencialismo que cheira a esmola, ou a integridade de um programa diário de assistência social?

O que ajuda mais? As campanhas de solidariedade, ou a consciência na hora de votar?

De que adianta pessoas (não generalizando é claro) doarem até o que não podem, se nas eleições votam no vizinho, no amigo ou até no cantor de seu agrado?

O que ajuda mais os indigentes e flagelados? A mão amiga no final do ano, ou o compromisso com a verdade e com as necessidades políticas?

Pensem...

Eu tenho meus pontos de vista e conheço minhas respostas.

E você?

Ao menos lembra em quem [e porque] votou nas últimas eleições?

Um abraço

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Eu já sabia

Ontem à tarde, pude divisar a robustez digna de uma equipe de futebol. Ainda há quem diga que o Grêmio entregou para o Flamengo, mas a esses deixo meu desprezo, e talvez indique livros que expliquem o que de fato é o futebol.

Futebol é coisa séria! é jogado por seres dignos, e alguns indignos, que apenas confirmam a regra. Futebol não é esporte. Essa definição é simplista demais. Futebol é ciência! A mais nobre delas, e é lindo e apaixonante por ser justamente isso.

Poesia, literatura, filosofia, ciência e obsessão! Não existe entrega no campo. Ou melhor, existe sim! Mas é a entrega de um jogador, que de corpo e alma, busca sempre o resultado positivo.

As pessoas que teimam em afirmar que o Grêmio entregou o jogo para o “mais querido do Brasil” teimariam de qualquer forma. Mesmo que o Grêmio tivesse ganhado o jogo! Diriam: - “ganhou porque o juiz prejudicou o adversário, mas tentaram perder”, ou alguma coisa espirituosa do tipo.

O que fica de relevante no final é a dedicação, e dignidade, de garotos que desfilaram no “maior do mundo” com muito respeito a instituição que defendem, à camisa que vestem, e ao espetáculo bretão que participam. Parabéns Grêmio pela bravura de seus jovens jogadores. Parabéns Grêmio pela dignidade maiúscula que nunca se esquecerá!

Aos dirigentes fica uma ressalva: Se tivessem escalados os titulares, poderíamos estar marcando época com o Grêmio sendo o protagonista do 2º maracanaço. Talvez tenha sido melhor porque de maracanaço todo o brasileiro está cheio. Um bastou e alimenta pesadelos há muitas décadas.

Tive que conter a alegria [e a emoção] ao final da partida, por ver aqueles jovens atletas saindo do gramado de peito e ombros erguidos, dignos de um esquadrão que cumpriu o seu dever. Rivalidade? Essa fica na arquibancada! Entrega de jogo? Manipulação de resultados? Cabelo em ovo? Isso fica na cabeça de quem não entende o espetáculo.

Eu amo futebol! Eu vivo e respiro futebol! E às vezes resguardo um pouco de tempo (quando sobra) para ser colorado também.

Obrigado Grêmio; obrigado atletas; nunca duvidei de vocês! E parabéns ao “mais querido” pelo título também.

Um abraço.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Acredito nos boleiros

Algumas polêmicas se estendem através da estupidez humana. Fazia tempo que não falava de futebol. Muito tempo, aliás. Deveria falar mais. Estamos vivendo a última rodada de um campeonato eletrizante, e voltamos a nos defrontar com a – ridícula - tese de que jogadores profissionais entregam partidas de futebol. Alguns pseudointelectuaisdabola teimam em falar em falta de moral, no campeonato e em sua fórmula. Não é questão de ajuste de fórmula. É questão de manutenção de caráter! Lembram o ano passado? Quando o Atlético Mineiro venceu a equipe de Palestra Itália, conduzindo o rival da Toca da Raposa para a Libertadores? Perdão, esqueço que do ano passado esses pseudosseiláoquês nunca lembram. Se ontem ocorreu algum incidente duvidoso no jogo de campinas, não pode ser caracterizado como entrega de jogo! Talvez pouca vontade de vencer, apenas isso. A pouca vontade é facilmente explicada pelo fato de um time estar brigando pelo título, e a outro querendo que venham as férias! Parem de enxergar o que não existe! O Grêmio não irá entregar o jogo do maracanã. O Grêmio terá a dignidade que sempre teve. Irá perder, sim irá perder! Mas não entregará o jogo. O Grêmio será o Corinthians de ontem. E enquanto um grande cronista de Porto Alegre fica usando seu espaço - de enorme audiência - para fazer apologia à falta de caráter, fico tranqüilo e mais apaixonado por esse esporte, que tange suas decisões de forma honesta e competitiva. Para a paixão existe um enorme lugar nas arquibancadas. Um lugar com capacidade para 30, 40 ou mais de 50 mil pessoas! Deixem as quatro linhas para os protagonistas do espetáculo! Deixem o futebol com o brilho da leveza das jogadas, e com a transparência que somente homens íntegros podem ter! Sempre existirão aqueles que afirmam que o Brasil entregou a copa de 98. Sempre existirão aqueles que acham que o futebol é mais “arranjado” que o boxe. Que bom que estes não fardam nem entram nas quatro linhas.

Um abraço.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

No dia em que a inspiração morrer...

Sucumbirei na clausura, mas manterei a insanidade de minhas mais honestas atitudes. Demonstrarei pujança perante a falta de coragem, e mesmo que ignorem minha existência, almejarei o posto de D'Artagnan, mas nunca de um dos outros três rapazes. Levantarei a pedra do alicerce sem pedir auxílio - mesmo que para isso corte dedos e lavre a pele de minhas mãos. Serei eu mesmo, de carne osso e audácia! Medirei a inveja alheia pelo brilho em meu reflexo espelhar, e quando todos cobrirem-se de ojeriza, sairei de sarcófagos dizendo: - esqueceram que Deus estava vendo? Moldarei a estupidez de meu âmago, na angústia de cães que ladram, pois não sabem que seus donos não são merecedores de proteção. Comprarei lápis e canetas para desenhar HQ´s, e farei dos balões as residências de diálogos sem expressão ou poesia. Machucarei meus olhos de tanto chorar revoltas, e após longos dois dias, me formarei em alguma ciência barata que me traga hipóteses e nostalgias. Pisarei em solos de brasas e ficarei de joelhos sobre grãos, mas nunca ouvirão soluços em meus prantos. Nunca trairei minhas primeiras intenções, e nada será capaz de ludibriar a verdade, sem que para isso todos retoquem de escarlate o seu próprio perdão. Estocarei aquarelas em meio a pilhas de papéis. Serei o primeiro a gritar gol! - quando este for ilícito, mas com um toque de amor. Definirei nas pegadas do passado os erros que me fizeram rancoroso sem moderação, mas nunca... Eu digo nunca... Serei o culpado da imensa falta de altruísmo de uma nação. Cantarei os cânticos das cortes medievais, e quando reclamarem da falta de ritmo em minha voz, lembrarei que a intenção não era de superar expectativas, mas apenas de levar a mensagem correta, através de minha música e minha canção. Serei o maior de todos os errados, mas emoldurarei meus erros, para que ninguém possa antes [do que eu] apontá-los; e quando muitos vierem pedir para este texto explicação, direi de forma branda e fulgurante: - sou um poeta com a devida licença! mas sem um pingo de inspiração.

Um abraço.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Vontade de regurgitar

Não foi bom. Um final de semana de expectativas frustradas e [talvez] da confirmação de minhas tenebrosas dúvidas.

Ah, antes que pensem... Jamais irão me calar. Jamais irão conseguir dissimular meu pensamento, ou movimentar meu próprio ego em raciocínio.

Estou frustrado com a falta de pulso e caráter de algumas pessoas. Frustrado com a ineficiência [e inoperância] de alguns ditos líderes de mecanismos e organizações.

Pessoas despreparadas, que ao exercerem cargos subsidiados por amizade, ou pelo covarde conluio entre seus cúmplices, endossam cada vez mais minha tese de que não há como acreditar no ser humano.

Pessoas merecem apenas descrédito. E quando as mesmas recebem poderes... Bem, daí... A coisa tende a ficar cada vez pior.

Cristãos? Até parece deboche.

Um abraço.