terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sinfônica poesia


O poeta desenha suas palavras na doce frase que compõe sinfonias. Ele poeta, não brinca com rimas e dizeres, leva à imensidão todas as suas maiores angústias e desprazeres. Eis ali. Na esquina da sofridão, o poeta.

O poeta que senta defronte ao piano. O poeta que diuturnamente rega as folhagens de um inverno, travestido de verão. O poeta, meus caros [e minhas caras], joga o corpo sobre a violência dos olhos de quem não o lê, e assim... o poeta vai de ponto em ponto, compondo sua sinfônica poesia de muita dor.

Nunca conheci um poeta diferente. Sempre tive a impressão que todos fossem como garrafa de aguardente. Secos, fortes, alucinógenos, mas amigos da própria dor. O poeta, a multidão dos poetas, a imensa massa de pensadores com abstratas reflexões... 

São estes os responsáveis, por tudo e por quase nada, mas enfim... são eles os poetas que recitam amor.  

Um abraço.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Para mim mesmo, e a quem interessar possa.


Uma carta para mim mesmo, foi isso que decidi escrever. Eu que nasci pobre. Eu que sobrevivi às dificuldades do subúrbio, e da pobreza em geral. Eu que sempre vi os melhores sapatos, os melhores tênis, os melhores agasalhos e as melhores camisetas nos colegas, e não em mim. Eu que por curiosidades do destino cresci com asco do socialismo. Eu que queria ser um dono de capital para poder construir fortunas, eu, esse mesmo que aqui escreve, estive por muito tempo enganado.

Eu que busquei nas ideias de “fantasmas” o correto para ser feliz, eu que multipliquei minha estupidez ao achar que não era necessário o estudo para ser algo, ou alguém melhor. Eu que sempre estive montado na minha imbecil auto-suficiência briguei com irmãos, amigos, colegas e outros mais. Eu que nunca aceitei o conselho, que idolatrei até mesmo o próprio espelho, eu nunca mais esquecerei as infâmias que escrevi.

Eu que modifiquei minha fé por várias vezes. Fui correto e honesto todas vezes, mas nunca tratei de ser algo melhor para mim. Eu que arrotei capitalismo sem ter o capital, que ataquei o socialismo como quem ataca o próprio leito matinal, eu fui estúpido, fui pseudo- corrupto, e falei [alto e em bom tom] que faria como “eles”, tudo igual. Eu que jamais me imaginei abraçando a causa humana, que fui preconceituoso, racista, ofensivo e raivoso, eu nunca pensei que fosse me arrepender.

Mas já faz anos. Já faz muito tempo, e agora chegou a hora de aqui afirmar; de assim dizer. Eu que aprendi que o ensino de história é mais comprometedor do que a própria educação familiar. Eu que por muitos anos fui um andrajoso e fétido explorador de capitais, sem ter um tostão no bolso, mas que mesmo sendo filho da pobreza em colosso, esbravejei aos “oito ventos” a vontade de ser um rei.

Hoje me arrependo. Hoje busco em meus erros os conselhos. Hoje sou um poeta, um historiador, um garoto que jaz adulto nos erros que cometeu. Mas a minha vida me ensinou. A minha vida mostrou que o compromisso com a humanidade, ensina que os erros de uma eterna [e arcaica] castidade, são todas as provas que precisamos para mudar. Eu que por vezes falei asneiras abdicando de outras tantas, e que mesmo no arrependimento tornei a regurgitar a podridão do pensamento.

Eu que sempre fui um menino metido a palestrante, um garoto apaixonado pela Beatriz de um certo Dante, vejo-me hoje no espelho com a aparência mais tocada do que tocante. Eu hoje peço perdão a todos que machuquei. Eu hoje sou mais poeta e menos rei, mas acima de tudo, eu hoje... Reconheço minha estupidez.

Vida eterna aos bons homens, e a todos nós. Vida eterna aos pensadores de uma forma de vida menos bandida. Vida eterna as transformações que a história nos traz.

Um abraço.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Andrajoso


Os dias passam e me assombro com a burrice dos preconceitos. Vão me perguntar os mais próximos se por acaso nunca tive algum. Claro que sim, mas ter tido um sentimento menor - e hoje poder respirar o puro ar da igualdade - faz parte de um processo evolutivo ao qual me encaixo.

Não consigo conceber o racismo, o machismo, a xenofobia, a homofobia, etc e tal. Existem coisas mais importantes, e mais nobres também. Enquanto discutem as crises mundiais, esquecem que a intolerância religiosa está anexada inclusive às permanentes guerras do oriente médio.

Não posso simplesmente fechar olhos pensando que tudo não passa de um arrojo ideológico que castra a população em todos os seus degraus. Não sei, era para ser um texto complexo e extenso. Era para ser até digno de reflexões. Mas acaba assim. Vestindo palavras necessárias para o despudor, mas sem camisa.

Um abraço.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Curtas e rapidinhas


Desci do lotação direto na padaria.

Correndo como sempre, com muitos compromissos como trabalho do semestre para finalizar, e etc etc e... Etc.

Pois bem, entrei indo direto ao balcão, e para meu azar (sujeito atucanado não admite fila para nada!) havia um senhor na minha frente.

Apenas um. Longilíneo, de idade bem avançada, e com voz encorpada:

- quero sete! Pediu fazendo menção ao número de pães.

Que coisa, pensei eu, mas que coisa!!!!

Sou daqueles que pensam que alguém só pode pedir SETE pães, se tiver algum tipo de significância ou compactuação afetiva com esse número, ou talvez (nunca se sabe) esteja querendo que alguém pergunte o porquê de tal quantia.

Não perguntei. Ninguém perguntou.

O cidadão foi embora “se mordendo”. Bem feito pra ele!

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Dia desses me perguntaram qual palavra eu usaria para me definir.

É, uma só!

GÊNIO foi o que eu disse.

Pensem comigo...

Se um gênio não admite sua genialidade, estará usando de falsa modéstia.

Se admite... É arrogante, prepotente, soberbo e muito mais.

Se não admite, nem deixa de admitir... Está omitindo informações. Está sendo pouco participativo. Introspectivo, enfim... Não serve para o modelo.

Gênio então, simples assim.

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Chego em casa com:

Roupas para lavar, trabalhos para fazer, esse espaço para atualizar, dois artigos, duas revistas, um livro e alguns versículos para ler.

Bóra pra máquina!

Lavarei poucas roupas, mas suficientes e necessárias, senão...

Amanhã não sei o que usar.



Um abraço.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Mais um dia de férias, apenas isso.

Um dia como outro qualquer, junto aos cobertores, e porque não, com paradas estratégicas para escrever algo. Não costumo ficar tanto tempo sem atualizar em postagens “meus espaços”, mas no momento a conturbada faculdade de historia, tem me tirado o tempo em meio a pesquisas, e estudos específicos, ainda bem!

Estudar a escravidão moderna (africana) é um trabalho árduo que resiste ao tempo, e mantém (ao menos em mim), o sentimento perverso da vergonha, da ojeriza, e por vezes até mesmo da culpa. Ontem conclui o curso de capacitação em história da África, com o sentimento de que tenho ainda uma vida inteira para cursar.

Vi filmes, documentários, reportagens, e ainda achei tempo para a leitura de artigos, revistas, jornais, livros e documentos em geral. Ter o dia reservado para o descanso é isso. Acordo por volta das 08h30min (porque dormir mais?) tomo café na padaria da esquina (vício), e volto para debruçar-me sobre os livros que ainda não li.

No momento estou lendo o “Navio Negreiro” (não é o poema de Castro Alves, não!) de Marcus Rediker. Um bom e horripilante roteiro de contos verídicos a respeito dessa “arma” dos séculos passados. Fora isso, olho a chuva pela janela, tiro minutos para compor poesias, escrevo esta ligeira coluna, e acabo por hipotecar mais um instante de meu precioso tempo.

Um bom dia a todos, porque o meu está prometendo ser bom também.


Um abraço.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Não vejo a hora

Às vezes acordo insatisfeito com os detalhes. Um livro que não segue a altura sistemática de uma seção, ou um DVD que destoa pelo estilo mais metafísico do que positivista, algumas obras literárias que ainda não li porque a crítica não recomenda... Enfim, detalhes que me tiram o sono e a tranqüilidade.

Em outros momentos, busco no quarto o repouso [e o sossego] capaz de amenizarem a falta que sinto de ver mais os filhos. A parceira existe e ajuda em tudo, inclusive em anestesiar tais distâncias.

Está difícil debruçar-me sobre a Ilíada de Homero. Está difícil de ler Vinhas da Ira, embora seu escritor mereça alguns dias de atenção. Gostaria de estudar mais a fundo a pré-história, sem que para isso precisasse ficar a mercê dos historiadores atuais.

Alguns capítulos de minha vida foram escritos sem referências bibliográficas, sinopse e sequer notas de rodapé. Os sujeitos seguem ocultos; a estante acumulando livros em duas filas (crime para quem gosta de enxergar todos os volumes), e tudo rabiscado em cores fluorescentes e vibrantes.

Passo os dias na contagem sintomática das horas e provisões. Passo os dias largando proteção vertical, no afã de cobrir as beiradas de meu campo próprio e casual. Passo os dias... Querendo que tudo se torne realidade lá no fim.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Reflexão

Existem algumas coisas básicas para a criação, construção, reforma e manutenção de um bom, e aceitável caráter. Princípios! Eles estão vinculados a estrutura cognitiva do ser humano, e chegam a definir de forma didática o distanciamento deste, ou de outro ser, em relação à busca da ética, da moral e dos bons costumes.

Atitudes dignas de total ojeriza ou escárnio, como enganar pessoas, sejam elas de qualquer tipo de classe social, corroboram com a tese de que o DNA dita, ou tenta ditar de forma amiúde, toda a tendência de uma postura vinculada a alguém. Não podemos sistematizar o erro, mas também não podemos esquecer que esse já está institucionalizado.

Pessoas que modificam a forma de ver possibilidades - apenas por uma carteira estar aberta e ao seu alcance - demonstram que o ato ilícito é apenas uma questão de oportunidades. Não podemos fazer de um contexto, ou de um local, a universidade do crime ou da coação.

As ferramentas existem para todas as formas de trabalho, mas somos nós que as escolhemos. Nós definimos os rumos e os caminhos que queremos seguir. Depois de tanto raciocínio em cima de questões subjetivas, porém prováveis, temos que nos permitir o sossego da reflexão.

Ter em mente os tropeços, e saber usá-los da mesma forma com que um ex-religioso usa a antiga crença, para fortalecer seu ceticismo, gera conforto e resignação com seus erros. O inverso também pode ser utilizado. O primeiro passo está talvez (e porque não?) na confissão dos erros, e no comprometimento de idéias. Essa é a questão chave.

Devo aceitar o erro em nome da manutenção de minha carreira? Não. A resposta é peremptoriamente não. Eu devo reconhecer, e confessar através da convicção do erro, e da aceitação das idéias. Fazer com que as coisas aconteçam dentro do correto, é permitir-se alavancar a concretude do caráter, afundando desta forma, alguns centímetros mais de tranqüilidade em nosso travesseiro.

A inquietude no sentido vil da palavra, me remete ao antônimo do poema em linha reta. Faz com que as esperanças sejam escassas, e que a troca de material humano seja não só necessária, como se configure na única e última saída de uma instituição. Não podemos sequer administrar uma situação que nasce torta, requer endosso, e corrobora através de indicações, para que o trilho siga o caminho sem objetivos, nem formas de se viver.

Nós seres humanos temos o instinto animal incluso em nossa fórmula de composição corpórea e espiritual. Somos animais no contexto social, político, fraterno e sexual. O pensamento sempre foi, e sempre será, gerador de idéias mirabolantes voltadas para o descumprimento daquilo que a sociedade estipulou como correto e apaziguador. 

Agora, a certeza e o conhecimento desse impulso animal, não podem ser utilizados como bengala para a defenestração de todos os impulsos condizentes com nossa historia e nosso comportamento normal. Em algumas vezes, e isto é claro, devemos retroceder na ânsia de anistiar toda a permeabilidade que consta em nosso universo, alocando nossos princípios em outra esfera, que não a imoral.

Este breve ensaio tem como endereço aqueles que sabem que assim o são. Este breve relato tem por objetivo criticar a estupidez de todos em questão. E por fim, tem o objetivo de ser breve e direto, mesmo que para alguns a prova de seu maior erro e incapacidade, esteja justamente na falta de alcance, para entender o que aqui se quis dizer.

Um abraço.